Janis Joplin, uma das atrações do festival de Woodstock, em foto de (29/07/1968)
Foram
três
dias de
paz,
amor e
música.
E chuva,
lama e
caos.
O
Festival
de
Música e
Artes de
Woodstock
completa
40 anos
neste
ano,
montado
em uma
onda
renovada
de
lembranças
–frequentemente
seletivas–
sobre o
que
aconteceu
entre
sexta-feira,
15 de
agosto,
e
segunda-feira,
18 de
agosto
de 1969,
na
fazenda
de Max
Yasgur
em
Bethel,
uma
cidade
no
interior
de Nova
York.
Alguns
lembram
da
desorganização,
dos
campos
repletos
de
sujeira,
das
tempestades
pesadas
e da
programação
aparentemente
aleatória
de
música,
que
esticou
o
festival
previsto
para
três
dias até
uma
inesperada
quarta
manhã,
na qual
Jimi
Hendrix
tocou
sua
famosa
versão
de “The
Star-Spangled
Banner”.
Outros,
entretanto,
lembram
de
outras
coisas:
o
espírito
comunal
de uma
geração
de
jovens
que
mostrava
ao mundo
que era
capaz de
se
reunir,
ouvir
sua
música,
protestar
contra a
guerra
e, sim,
tomar
drogas,
tudo com
resultados
genuinamente
positivos.
Foi,
como o
“Boston
Globe”
escreveu
em um
editorial
na
época,
“um
evento
de massa
de
grande e
positiva
importância
na vida
do país
(...) Em
uma
nação
acossada
por uma
violência
crescente,
este é
um sinal
vibrante
de
esperança”.
Para o
guitarrista
Carlos
Santana,
que
tocou no
sábado,
Woodstock
foi “um
oceano
de
colares,
cabelos,
dentes,
olhos e
mãos...
um
oceano
de carne
em
movimento”.
“Se
fechar
os
olhos, é
possível
esquecer
o
impacto
de ver
um
oceano
de carne
em
movimento”,
prossegue
Santana.
“Então é
possível
apenas
sentir o
som, que
tinha
uma
reverberação
diferente
quando
rebatia
nas
pessoas
e
voltava
para
você.”
Tantos
anos
depois,
o
co-fundador
de
Woodstock,
Michael
Lang,
ainda se
alegra
com seu
contínuo
impacto
e
notoriedade.
“É
sempre
interessante
o quanto
repercute
atualmente
e quão
presente
ainda
está nas
vidas de
tantas
pessoas”,
diz
Lang, 64
anos,
que
também
produziu
as
sequências
de
Woodstock
em 1994
e 1999.
“Foi
como um
encontro
de
tribos,
se
quiser,
os
jovens
do mundo
se
reunindo
para
ouvir
ótima
música e
estar
juntos,
pacificamente.
Foi uma
espécie
de
utopia,
e acho
que as
pessoas
ainda
anseiam
por
isso.”
Lang e
outros
com uma
participação
em
Woodstock
certamente
esperam
que
ainda
exista
um
apetite
pelas
lembranças
do
festival
original,
porque
possuem
uma
série de
souvenires
sendo
lançados
nos
próximos
meses
para
comemorar
o
aniversário.
“Foi um
ponto
crítico
no
tempo”,
diz
Cheryl
Pawelski,
uma
vice-presidente
da Rhino
Records,
cuja
empresa
relançou
os
álbuns
originais
“Music
From the
Original
Soundtrack
and
More:
Woodstock”
(1970) e
“Woodstock
2”
(1971),
e em 18
de
agosto
lançará
“Woodstock
-- 40
Years On:
Back to
Yasgur's
Farm”,
uma
caixa
com seis
CDs
contendo
38
gravações
não
lançadas
anteriormente.
“Meio
milhão
de
jovens
se
reuniram
pacificamente
para
curtir
sua
música”,
diz
Pawelski,
“e tudo
deu
certo e
ninguém
se
machucou.
Eu sinto
que esse
é o
atrativo.
Foi um
momento
no tempo
que meio
que
validou
todo o
movimento
jovem de
contracultura
da
época.
Foi
histórico”.
A
divisão
Legacy
da Sony
BMG está
se
juntando
à festa
dos CDs,
com as
edições
“Woodstock
Experience”
de
álbuns
de 1969
de cinco
atrações
do
festival
–Jefferson
Airplane,
Janis
Joplin,
Santana,
Sly &
the
Family
Stone e
Johnny
Winter–
cada um
acompanhado
de um
segundo
CD
contendo
pela
primeira
vez a
apresentação
completa
do
artista
em
Woodstock.
Uma nova
edição
em DVD
de
“Woodstock:
3 Dias
de Paz,
Amor e
Música”
saiu no
início
de
junho,
ao mesmo
tempo em
que um
novo
site
Woodstock.com
foi
lançado.
Uma
série de
livros
–incluindo
o livro
de
memórias
de Lang,
“The
Road to
Woodstock”,
“Roots
of the
1969
Woodstock
Festival:
The
Backstory
of
Woodstock”,
da
editora
Woodstock
Arts, e
um livro
infantil
chamado
“Max
Said
Yes!:
The
Woodstock
Story”,
de
co-autoria
da prima
de
Yasgur,
Abigail–
estão
sendo
lançados
ou
sairão
ao longo
da
celebração.
Parte da
fazenda
de
Yasgur
agora
abriga o
Bethel
Woods
Center
for the
Arts, um
anfiteatro
que se
tornou
um
espaço
ativo de
concertos
assim
como lar
do
Museum
at
Bethel
Woods,
que
celebra
o
festival
e também
a
experiência
geral da
contracultura
dos anos
60. O
local
também
receberá
um
concerto
“Heróis
de
Woodstock”
em 15 de
agosto,
com a
participação
de
veteranos
do
festival
como
Country
Joe
McDonald,
Mountain
e Ten
Years
After.
O Rock
and Roll
Hall of
Fame +
Museum,
em
Cleveland,
também
está
planejando
uma
exposição
especial
para o
aniversário
de
Woodstock,
e a
documentarista
premiada
Barbara
Koppel
criou um
novo
filme
para os
canais
VH-1
Classic
e
History
Channel.
Até
mesmo
Hollywood
está
participando:
“Taking
Woodstock”
de Ang
Lee, que
será
lançado
nos
Estados
Unidos
em 14 de
agosto,
vê de
modo
cômico
Elliot
Tiber,
um
artista
e
designer
de
interiores
que
ajudou a
levar
Woodstock
para
Bethel
após o
festival
ser
expulso
da
vizinha
Walkill,
Nova
York.
Mas
alguns
sentem
que toda
a
badalação
é
desnecessária,
é claro.
“Foi
ótimo,
mas foi
há 40
anos”,
diz
Graham
Nash,
que
tocou no
festival
com a
então
nova
banda
Crosby,
Stills &
Nash (&
Young).
“Quem é
que
ainda se
importa?”
Resposta:
muita
gente,
principalmente
Lang.
Ele teve
a idéia
de
Woodstock
após se
mudar
para o
interior
de Nova
York
vindo de
Coconut
Grove,
Flórida,
onde
dirigia
uma loja
para
usuários
de
drogas e
produziu
o
festival
Miami
Pop, em
1968. Em
Woodstock,
ele foi
ao
regular
Sound-Outs,
encontros
de
música
ao ar
livre
que
ocasionalmente
contavam
com
grandes
nomes
que
viviam
na área.
“Eu
pensei:
‘Este é
o modo
de ver
música. É
simplesmente
o
paraíso’”,
lembra
Lang.
“Não
havia
restrições.
Não
havia
pressão,
nem
policiais
nem
nada.
Era
apenas
curtição,
estar
junto
com
ótimas
pessoas
ouvindo
ótima
música.”
Lang,
que diz
que seu
instinto
é
“sempre
busque
algo
maior”,
conheceu
Artie
Kornfeld,
um
executivo
da
Capital
Records,
que
ficou
intrigado
com a
visão de
Lang.
“Conversando”,
lembra
Lang,
“ele e
eu
simplesmente
dissemos
certa
noite:
‘Por não
nos
unimos,
trazemos
todo
mundo
que
gostaríamos
de ver e
trazemos
todas as
pessoas
com as
quais
nos
sentimos
conectados
para ver
o que
acontece?’”
Seus
futuros
parceiros,
o jovens
empresários
de
formação
universitária,
John
Roberts
e Joel
Roseman,
eram
estranhos
parceiros,
mas o
festival
de
Woodstock
se
tornou
uma
realidade,
mesmo
após ser
forçado
a
encontrar
um novo
lar
restando
apenas
seis
semanas
para a
data
marcada
para o
evento.
Os
organizadores
superaram
um
problema
aparentemente
intransponível
atrás do
outro,
da
retirada
de
último
minuto
dos
policiais
fora de
serviço
de Nova
York que
tinham
sido
contratados
para
compor a
segurança
do
evento
–eles
acabaram
sendo
contratados
sob
pseudônimos–
até
batalhas
com as
fornecedoras
de
alimentos
e os
problemas
contínuos
com a
construção
do
espaço,
que no
final
fez com
que o
festival
fosse
gratuito,
simplesmente
porque
os
portões
e
catracas
não
foram
concluídos.
“Foi um
caos,
não
foi?”
diz Pete
Townshend,
do Who.
“Quero
dizer, o
que
aconteceu
fora do
palco
foi
simplesmente
além da
compreensão
–macas,
corpos,
pessoas
vomitando
e
pessoas
tendo
viagens
ruins. E
tudo o
que
diziam
era:
‘Isto
não é
fantástico?
Isto não
é
lindo?’”
“Eu
achei
que toda
a
América
tinha
enlouquecido
naquele
momento.”
“Eu
simplesmente
fiquei
nervoso
o tempo
todo em
que
estive
lá”, diz
John
Fogerty,
do
Creedence
Clearwater
Revival.
“Não
havia
regras.
Não
havia
profissionais
de
verdade
organizando
aquilo,
nenhuma
segurança
real
preparada.
Eu me
lembro
de ver
um
sujeito
vendendo
água,
cinco
galões
por um
dólar.
Eu
considerei
a coisa
mais
comercial
e
repulsiva
que já
tinha
visto.”
Steve
Bartley,
que
estava
se
preparando
para seu
último
ano na
Universidade
de
Michigan
quando
foi a
Woodstock,
concorda
que
certamente
teve um
lado
negativo.
“Eu não
gosto
quando
leio
artigos
que
dizem
que era
o melhor
lugar do
planeta”,
diz
Bartley.
“As
pessoas
esquecem
que a
maioria
das
pessoas
não
levou
comida
ou água,
que
estava
quente,
úmido e
lamacento,
e não
havia
toaletes
suficientes.”
“Mas
todo
mundo se
entendeu”,
ele
acrescenta.
“Talvez
seja o
que o
tenha
tornado
tão
mágico.
Mas não
foi o
Jardim
do
Éden.”
A música
foi o
legado
mais
duradouro
de
Woodstock,
vinda de
superastros
como
Joan
Baez,
Creedence
Clearwater
Revival,
Grateful
Dead,
Hendrix,
Jefferson
Airplane
e Janis
Joplin,
ou
artistas
emergentes
como Joe
Cocker,
Melanie,
Santana,
Sha Na
Na e Ten
Years
After,
cujas
carreiras
foram
impulsionadas
por sua
participação
no
festival
e,
frequentemente,
no filme
lançado
posteriormente.
Quando
Crosby,
Stills &
Nash (&
Young)
subiram
ao palco
em
Woodstock,
aquela
era
apenas a
segunda
apresentação
pública
da
banda.
“Todo
mundo
que
conhecíamos
ou com
que nos
importávamos
na
indústria
da
música
estava
lá”,
lembra
David
Crosby.
“Eles
eram
heróis
para
nós, The
Band,
Hendrix
e o The
Who
(...)
Todos
eles
estavam
atrás de
nós em
um
círculo,
tipo,
‘Ok,
vocês
são os
novos
garotos
no
pedaço.
Mostrem’.”
Até
mesmo
Townshend,
que
famosamente
expulsou
o
ativista
Abbie
Hoffman
do palco
quando
ele
tentou
falar
para o
público
durante
a
apresentação
do Who,
reconhece
que
Woodstock
ajudou
sua
banda.
“Ele nos
enriqueceu”,
ele diz.
“‘Tommy’
(1969)
já tinha
encerrado
seu
ciclo,
tinha
vendido
talvez
um
milhão e
meio de
cópias.
Woodstock
nos
colocou
de volta
nas
paradas
e então
saiu o
filme, e
‘Tommy’
vendeu
outras 4
milhões
de
cópias.”
Richie
Havens
teve a
honra
duvidosa
de abrir
o
festival
em 13 de
agosto.
Apesar
de
programado
como a
quinta
apresentação
do dia,
ele foi
transferido
para
primeiro
quando a
banda
prevista
para
abrir o
festival,
o
Sweetwater,
não pôde
porque
seu
caminhão
de
equipamento
ficou
preso no
enorme
congestionamento
causado
pelo
tráfego
para o
festival.
Quando a
notícia
se
espalhou
de que
poderiam
ser
requisitados
a se
apresentarem
antes do
programado,
outros
artistas
fugiram
de cena,
mas
Havens
foi
lento
demais e
acabou
tendo
que se
apresentar
primeiro.
“Eu
pensei:
‘Deus,
três
horas de
atraso!
Eles vão
atirar
latas de
cerveja
em mim.
Eles vão
me
matar’”
diz
Havens,
que na
verdade
subiu ao
palco
quase
uma hora
após o
horário
de
início
planejado.
“Felizmente
a reação
foi
‘Graças
a Deus,
alguém
finalmente
vai
fazer
algo’ e
ficaram
felizes.”
Baez,
que
fechou a
primeira
noite do
festival,
posteriormente
fez uma
aparição
surpresa
no palco
livre,
em outra
área do
festival.
“Aquilo
foi
muito
engraçado”,
ela
lembra.
“A
pessoa
que
estava
anotando
os nomes
oficialmente
e
colocando
as
pessoas
em ordem
de
apresentação
não me
reconheceu.
Eu era
apenas
mais
uma. Eu
acho que
apenas
disse
que meu
nome era
‘Joan’.”
Os
músicos
ficaram
pasmos
com o
tamanho
do
festival,
que a
maioria
percebeu
ao ser
trazida
ao local
por
helicóptero.
“Era
como
formigas
em um
morro ou
algo
assim”,
lembra o
tecladista
do
Santana,
Greg
Rolie.
“Era
difícil
conceber.
Todo
mundo já
tinha
tocado
em
vários
festivais
mas...
nada
como
aquilo.”
Quando o
Creedence
Clearwater
Revival
tocou na
madrugada
de
domingo,
diz o
baixista
Stu
Cook, os
membros
da banda
não
conseguiam
enxergar
além da
beira do
palco. O
público
estava
na total
escuridão.
“Nós
subimos
e
tocamos”,
ele diz,
“e após
as
primeiras
canções,
nós
ainda
não
sabíamos
ao certo
se havia
alguém
lá.
Ocasionalmente
alguém
acendia
um
isqueiro
lá
longe. A
certa
altura
um
sujeito
muito,
muito
longe,
gritou:
‘Nós
estamos
com
vocês!’
e
sentimos,
tipo,
‘Ok, o
concerto
é para
aquele
sujeito’.”
A
apresentação
do
Grateful
Dead foi
atrapalhada
pelo
técnico
de som
–e
famoso
químico
e
fabricante
de LSD–
Owsley
Stanley,
que
decidiu
mudar os
cabos do
palco
para a
apresentação
do
grupo.
Não
apenas
foram
necessárias
três
horas
para
isso,
lembra o
guitarrista
Bob
Weir,
mas ele
estragou
tudo.
“Ele fez
tudo
errado,
o mais
errado
que já
vi”, diz
Weir.
“Nada
estava
aterrado,
assim
toda vez
que um
dos
guitarristas
encostava
no seu
instrumento,
eles
recebiam
um
choque
de baixa
voltagem,
cerca de
15
volts.
Era o
suficiente
para
sacudir
seu
sistema
nervoso.”
“E toda
vez que
me
aproximava
do meu
microfone,
havia
uma
grande
descarga
azul que
me
erguia
do chão
e me
atirava
para
trás
contra
meus
amplificadores.
Quando
eu
voltava
eu
estava
com o
lábio
inchado,
mas
simplesmente
voltava
e
continuava
cantando
a
canção,
mas eu
não
estava
100%
enquanto
estava
lá.”
O
restante
do
festival
foi mais
do
agrado
de Weir,
entretanto.
“Nós
ficamos
acampados
lá por
vários
dias e
realmente
relaxamos
com a
lama,
música e
tudo
aquilo”,
diz
Weir,
que
nadou nu
nos
lagos
existentes
no
local.
“Foi
muito
divertido.”
Arlo
Guthrie
também
curtiu a
experiência
fora do
palco.
“Eu
caminhei
em meio
à
multidão
e subi
até o
lado de
trás do
morro”,
ele
lembra.
“Eu
fiquei
estupefato
simplesmente
por
estar na
multidão.
Não
havia
para
onde ir,
nada a
fazer
exceto
estar
lá.”
Antes de
sua
morte em
2002, o
baixista
do The
Who,
John
Entwistle
lembrou
de ter
bebido
uísque e
Coca-Cola
com
cubos de
gelo
batizados
com LSD.
“Eu
passei
um
tempinho
viajando”,
ele
disse.
“Eu bebi
o
restante
do
uísque e
desmaiei.
Quando
acordei
eu
estava
bem
grogue,
mas em
condição
suficiente
para
tocar...
Nós
finalmente
tocamos
e a
parte
mais
incrível
foi que,
enquanto
cantávamos
‘I’m
Free’, o
sol
nasceu,
e foi o
máximo.”
Os
artistas
se
recordam
dos
bastidores
como “um
bom
local
onde
estar”,
segundo
o
baterista
Mickey
Hart, do
Grateful
Dead.
“Todos
estavam
curtindo
as
coisas
que
gostavam
e
batendo
papo com
todos
seus
pares”,
ele
recorda.
“Era um
clima
bem
amistoso
e todo
mundo
estava
feliz
por
estarmos
vendo
uns aos
outros.”
“As
coisas
transcorreram
muito
bem nos
bastidores”,
concorda
Cook.
“Havia
muitos
confortos.
Havia
amigos,
comida,
bom
fumo,
álcool,
de tudo.
Nós não
estávamos
experimentando
o mesmo
ambiente
que as
demais
pessoas.”
Santana
lembra
de ter
chegado
ao local
e ter
visto
Jerry
Garcia,
o
guitarrista
do
Grateful
Dead,
“tocando
sua
guitarra
no
morro,
com um
belo
sorriso
feliz em
seu
rosto”.
Mas
ocorreram
alguns
problemas
com o
abastecimento.
Leslie
West, o
guitarrista
do
Mountain,
reclama
que
Janis
Joplin
“matou o
último
bagel
antes
que eu
chegasse
aos
bastidores”,
e Alvin
Lee, do
Ten
Years
After,
que foi
imortalizado
pela
versão
de 10
minutos
de
“Goin’
Home”
que
aparece
no
filme,
passou
por uma
crise de
abstinência
de
tabaco.
“Nós
ficamos
sem
cigarros
nos
bastidores”,
lembra
Lee.
“Então
alguém
disse:
‘Eu vou
até lá
ver se
descolo
alguns
do
público’.
E ele
voltou
com uns
20
baseados!
Ninguém
tinha
cigarros.”
A
apresentação
de
encerramento
de
Hendrix,
diante
de um
público
estimado
de
apenas
40 mil
que
permaneceram
até a
manhã de
segunda-feira,
se
tornou
um dos
momentos
icônicos
do
festival,
mas Lang
tentou
ao
máximo
colocar
o
guitarrista
diante
de um
público
maior.
“Àquela
altura
Jimi era
o maior
astro de
rock do
mundo”,
diz
Lang,
que
pagou
US$ 5
mil a
Hendrix
para se
apresentar
no Miami
Pop e
US$ 50
mil para
Woodstock.
“Eu
queria
que ele
abrisse
o show
com um
set
acústico
e
fechasse
com a
banda.”
O set
acústico
nunca
aconteceu
e,
quando
ficou
claro
que o
festival
estava
bastante
atrasado,
Lang
ofereceu
a
Hendrix
tocar à
meia-noite
de
domingo,
em vez
de ser a
última
apresentação.
“O
empresário
dele
disse,
‘Não,
não,
não.
Jimi tem
que
encerrar
o
show’”,
conta o
promotor.
“E eu
disse:
‘Tem
certeza
que você
quer
fechar o
show?’ E
ele
disse:
‘Absolutamente’.”
“Então
ele se
apresentou
às 9
horas da
manhã”,
diz
Lang, “e
o que me
impressionou
em sua
apresentação
foi que
ele não
se
alterou.
Aquilo
não o
incomodou
nem um
pouco”.
(Gary
Graff é
um
jornalista
free-lance
baseado
em
Beverly
Hills,
Michigan.)